7 de fevereiro – Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas: território, direitos e resistência coletiva
Publicado em 07/02/2026 11:28
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No Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado neste sábado, 7 de fevereiro, a FINDECT e os sindicatos filiados reafirmam seu compromisso histórico com a defesa dos povos originários, reconhecendo que a proteção dos territórios indígenas e o respeito às culturas ancestrais são pilares fundamentais da democracia e da justiça social no Brasil.

O 7 de fevereiro marca uma data de profunda relevância política e histórica. Instituído oficialmente em 2008, o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas presta homenagem a Sepé Tiaraju, liderança guarani assassinada em 1756 ao resistir à ocupação colonial de territórios indígenas na região das Missões. Sua trajetória tornou-se símbolo da resistência indígena frente à violência, à expulsão de suas terras e à negação de direitos que ainda persistem.
Em 2026, os povos indígenas seguem enfrentando desafios estruturais. A demora na demarcação de terras, o avanço do garimpo e da mineração ilegal, as invasões, o desmatamento e os impactos das mudanças climáticas continuam ameaçando territórios e modos de vida ancestrais. Esses ataques não atingem apenas os povos originários, mas comprometem o equilíbrio ambiental e aprofundam desigualdades que afetam toda a sociedade.
A criação do Ministério dos Povos Indígenas representa uma conquista histórica da mobilização indígena. Sob a liderança da ministra Sonia Guajajara, a presença indígena nas políticas públicas fortalece a proteção territorial, a valorização das culturas e o reconhecimento dos saberes tradicionais como elementos centrais para a preservação da vida. Ainda assim, os direitos conquistados exigem mobilização permanente para que sejam efetivados e ampliados.
Para o diretor da FINDECT, Márcio Martins, a luta indígena está diretamente conectada à luta da classe trabalhadora.
“Os interesses que avançam sobre os territórios indígenas são os mesmos que atacam os direitos trabalhistas e aprofundam a exploração. Defender os povos originários é também enfrentar um modelo econômico que precariza o trabalho e destrói a natureza”, afirma.
A diretora do SINTECT-RJ e liderança indígena, Telma Peoli, reforça que o reconhecimento dos povos originários precisa sair do discurso e se transformar em ação concreta.
“A luta indígena não é do passado, ela é do presente e do futuro. Defender nossos territórios é defender a vida, a água, a floresta e também os direitos da classe trabalhadora. Não existe justiça social sem o reconhecimento dos povos que sempre cuidaram desta terra”, destaca.
A resistência indígena também se manifesta por meio da cultura, da arte e da palavra. Pensadores indígenas como Ailton Krenak lembram que não há saída para a crise ambiental e social sem ouvir aqueles que aprenderam, ao longo de milênios, a viver em equilíbrio com a natureza. O futuro, como ensinam os povos originários, está na ancestralidade e na coletividade.
Neste 7 de fevereiro, a FINDECT e os sindicatos filiados reafirmam que não há democracia plena, desenvolvimento sustentável ou justiça social sem o respeito aos povos indígenas. A defesa dos territórios, das culturas e dos direitos originários é parte indissociável da luta por um Brasil soberano, plural e comprometido com a vida.
Reconhecer a luta dos povos indígenas é reconhecer as raízes do Brasil e assumir, como sociedade, a responsabilidade de construir um futuro baseado na dignidade, no respeito e na preservação.
