Siga nas redes

Postalis: Conselheiros eleitos apresentam panorama dos planos BD e Postalprev e resultados dos investimentos em 2025

Publicado em 16/03/2026 11:36

Fonte:


O informativo dos conselheiros eleitos Edgard Cordeiro e Anézio Rodrigues detalha a situação dos planos de previdência dos trabalhadores dos Correios, aponta desafios do Plano BD e destaca desempenho do Postalprev.

Os conselheiros eleitos do Postalis, Edgard Cordeiro e Anézio Rodrigues, divulgam Informativo sobre o Postalis nº 04/2026, com uma análise preliminar sobre a situação dos planos BD (Benefício Definido) e Postalprev, além dos resultados dos investimentos registrados ao longo de 2025. 

O objetivo do informativo é manter os trabalhadores dos Correios — da ativa e aposentados — atualizados sobre a realidade financeira dos planos de previdência complementar administrados pelo instituto.

Situação do Plano BD

De acordo com os conselheiros, o Plano BD ainda apresenta motivo de preocupação em razão do déficit acumulado, atualmente próximo de R$ 15 bilhões. Metade desse valor — cerca de R$ 7,5 bilhões — está sendo paga pelos Correios em parcelas mensais. A outra metade é custeada pelos participantes por meio de contribuições extraordinárias de 23,21%, além de 75% adicionais sobre o 13º salário, além das medidas já adotadas de redução de benefícios, como a diminuição da pensão por morte para 50% e a extinção do pecúlio por morte. 

A dívida dos Correios com o plano foi formalizada por meio de um Contrato de Confissão de Dívida, documento exigido pelos conselheiros quando da aprovação do Plano de Equacionamento em 2020. O contrato é considerado um título executável, o que garante maior segurança jurídica ao Postalis para exigir judicialmente o cumprimento dos pagamentos, caso necessário. 

Resultado do Plano BD em 2025

O Plano BD encerrou o ano de 2025 com rentabilidade de 2,63%, resultado abaixo da meta atuarial prevista de 8,88%, o que pode gerar novo déficit no plano. Segundo o informativo, o principal fator para esse desempenho foi a reavaliação do ativo FIDC NP CJP, que provocou forte impacto negativo na rentabilidade de dezembro, registrada em –5,33%. 

Esse ativo, composto por precatórios e direitos creditórios do Estado do Rio de Janeiro, sofreu uma desvalorização de 61,24% em dezembro de 2025, representando perda aproximada de R$ 247 milhões. Com isso, seu valor caiu de R$ 404 milhões para R$ 157 milhões, reduzindo sua participação no patrimônio do plano de 12% para 4%. 

O investimento no fundo CJP foi realizado em duas etapas:

• 22 de setembro de 2010, no valor de R$ 203.263.500,00;
• 13 de junho de 2011, no valor de R$ 70.500.000,00. 

Em 2019, o Postalis ajuizou ação contra o Banco BNY Mellon, responsável pela estruturação do investimento, buscando indenização pelos prejuízos relacionados ao ativo. 

Por que o ativo CJP perdeu valor

A desvalorização do ativo também está ligada a mudanças na legislação. A Emenda Constitucional nº 136, promulgada em setembro de 2025, ampliou o prazo de pagamento de precatórios e estabeleceu limites para os desembolsos de estados e municípios. Essa alteração aumentou o tempo de espera pelos pagamentos e reduziu o valor contábil dos créditos. 

Para avaliar a situação, o Postalis contratou a consultoria PwC, cujo laudo indicou redução de 61,24% no valor do fundo. Sem esse impacto, a rentabilidade do Plano BD teria sido superior à meta atuarial, alcançando cerca de 10,5% em 2025. 

O Conselho Deliberativo do Postalis aprovou ainda, em setembro, um plano de liquidação do fundo CJP, estratégia voltada à recuperação de recursos e à redução de riscos. A venda do ativo, entretanto, deve ocorrer no momento mais adequado para evitar novas perdas ao plano. 

Desempenho em outros investimentos

Apesar do impacto do CJP, outros segmentos do Plano BD apresentaram resultados positivos:

• Renda fixa em títulos públicos: 11,42%
• Fundos de renda fixa: 14,21%
• Imóveis: 25,22%
• Empréstimos a participantes: 17,17% 

O patrimônio total do plano é de aproximadamente R$ 3,2 bilhões, sendo R$ 1,92 bilhão em renda fixa, com destaque para R$ 1,65 bilhão em NTN-B na curva e R$ 270,09 milhões em LFTs, ativos que apresentaram rentabilidade de 11,42% em 2025. 

Em 2024, o Plano BD pagou cerca de R$ 1,16 bilhão em benefícios, atendendo 30.302 aposentados e 7.754 pensionistas, além de contar com 39.544 participantes da ativa, totalizando 77.600 participantes. Desse total, 49,05% já recebem benefícios, enquanto 50,95% ainda irão recebê-los no futuro. 

Situação do Postalprev

O Postalprev, plano de contribuição definida, apresentou desempenho consistente. Em 2025, registrou rentabilidade de 13,52% e possui patrimônio aproximado de R$ 10,6 bilhões. 

Desse total, R$ 8,41 bilhões estão aplicados em renda fixa, sendo:

• R$ 7,69 bilhões em NTN-B na curva
• R$ 70,17 milhões em NTN-B a mercado
• R$ 570,56 milhões em LFTs, com rentabilidade de 12,62% em 2025. 

O plano pagou R$ 167 milhões em benefícios para 5.879 aposentados e 2.254 pensionistas, além de contar com 73.686 participantes ativos, totalizando 81.819 participantes. Nesse plano, 9,95% já recebem benefícios, enquanto 90,05% ainda estão na ativa com benefícios futuros a receber. 

Os conselheiros destacam que os ativos do Postalprev não podem ser utilizados para cobrir déficits do Plano BD, pois os dois planos possuem estruturas financeiras independentes. 

Estratégia de imunização financeira

Segundo o informativo, o Postalis adotou em 2025 uma estratégia de imunização dos investimentos, concentrando recursos em títulos públicos federais NTN-B com vencimentos alinhados ao pagamento de aposentadorias e pensões, com prazos que chegam até 2060. 

A estratégia busca reduzir riscos, minimizar impactos de variações de juros e inflação e garantir maior previsibilidade no pagamento dos benefícios. Nesse modelo, os títulos são mantidos até o vencimento, formando uma carteira fechada com taxas previamente contratadas que acompanham o fluxo de pagamento dos benefícios. 

Contribuições extraordinárias permanecem

No momento, o Plano BD não tem condições de suspender ou reduzir a contribuição extraordinária de 23,21%, nem o adicional de 75% sobre o 13º salário, além da contribuição normal de 8,7%. Esses percentuais podem sofrer alterações dependendo do resultado final de 2025 e das avaliações atuariais em andamento. 

Como o Plano de Equacionamento é relativamente recente, os conselheiros avaliam que ainda será necessário mais tempo para equilibrar o déficit. Uma mudança nesse cenário dependerá de eventual recuperação de valores ou de resultados positivos futuros. 

Os conselheiros eleitos reforçam que os trabalhadores dos Correios, aposentados ou da ativa, podem entrar em contato para esclarecer dúvidas sobre o Postalis ou sobre os planos de previdência.

• Edgard Cordeiro: (16) 99458-0216
• Anézio Rodrigues: (14) 99891-8699

Compartilhe agora com seus amigos