Correios: fortalecer a empresa pública é o verdadeiro caminho para garantir serviço, direitos e saúde dos trabalhadores
Publicado em 09/02/2026 12:18
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Um modelo público robusto é o único capaz de assegurar serviços de qualidade à população em todas as regiões do país, preservar direitos e condições dignas de trabalho para os trabalhadores e trabalhadoras, e garantir a saúde e a continuidade da operação da empresa, sem transferir o preço dessa crise para a população ou para os próprios trabalhadores.

Esse cenário complexo financeiramente demonstra que os Correios nunca deixaram de ser relevantes por falta de potencial ou missão social, mas por falta de investimento público em infraestrutura, logística e adaptação às mudanças do mercado. Apesar de notícias tentarem apresentar a crise como um problema de gestão isolado, os números mostram que a estatal enfrenta déficits crescentes em um contexto de retirada de investimentos e de concorrência desigual com empresas privadas que operam com foco exclusivo no lucro.
A recente declaração da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, ao apontar uma possível parceria com o setor privado como “luz no fim do túnel” para os Correios, reacende um debate que precisa ser feito com responsabilidade. Ao atribuir a perda de competitividade da estatal à falta de investimentos, a própria ministra confirma uma denúncia histórica dos sindicatos: há anos os Correios sofrem com o sucateamento, a ausência de investimentos estruturais e decisões que fragilizam sua capacidade operacional. Diante desse cenário, transferir a expectativa de solução para o setor privado não enfrenta a raiz do problema e pode abrir espaço para novos riscos à missão pública da empresa.
Fonte: Vero Notícias – Dweck vê saída para os Correios com parceiro privado
Os Correios não são uma empresa comum. Trata-se de uma estatal estratégica, com presença em todos os municípios brasileiros, inclusive onde não há interesse econômico para a iniciativa privada. Essa capilaridade garante integração nacional, acesso a serviços essenciais e atendimento à população mais vulnerável. A experiência internacional demonstra que o fortalecimento do serviço postal passa, necessariamente, pelo apoio do Estado. Nos Estados Unidos, por exemplo, o serviço postal (USPS) recorreu diversas vezes ao governo federal para garantir sua sustentabilidade financeira e a manutenção do serviço universal, reforçando que nem mesmo grandes potências tratam seus correios apenas pela lógica do mercado.
Fonte: United States Postal Service – USPS Financial Status
Para a FINDECT, o caminho é claro e segue sendo defendido há anos: fortalecer os Correios como empresa pública, oficial e estratégica, com investimentos diretos do governo federal, gestão transparente e compromisso com a função social da estatal. Isso significa garantir serviços de qualidade para a população, preservar a soberania nacional, assegurar todos os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, condições dignas de trabalho e a proteção à saúde da categoria. Parcerias privadas não podem substituir o dever do Estado. Defender os Correios públicos é defender o Brasil e quem faz essa empresa funcionar todos os dias.
