FINDECT reforça compromisso antirracista na Plenária do Novembro Negro da CTB
Publicado em 28/11/2025 19:03
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Participação de dirigentes da Federação destaca a importância da luta pela igualdade racial e pelo enfrentamento das desigualdades no mundo do trabalho

A FINDECT marcou presença na Plenária do Novembro Negro promovida pela CTB-SP em parceria com a CTB nacional, realizada na noite desta quinta-feira (27). O encontro foi marcado por debate qualificado, reflexão coletiva e reafirmação do compromisso do movimento sindical na luta contra o racismo. Representando a Federação, participaram o secretário de Assuntos Raciais da FINDECT e secretário-geral do SINTECT-SP, Ricardo Adriane Negopeixe; o secretário de Comunicação e Imprensa da FINDECT, do SINTECT-SP e CTB, Douglas Melo; e a secretária da Mulher do SINTECT-SP, Michele Souza, fortalecendo a representação dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios.
A plenária foi mediada por René Vicente, presidente da CTB-SP, e contou com a presença da vereadora Najara Costa (PCdoB/Taboão da Serra) e de Alfredo de Oliveira Neto, secretário de Igualdade Racial da CTB-SP. Ambos contribuíram com análises sobre os desafios atuais e estruturais da luta antirracista no país.
Na abertura, René Vicente destacou o protagonismo do movimento sindical na formulação de políticas públicas e no enfrentamento das desigualdades, lembrando que a luta antirracista é parte indissociável da luta de classes e da construção de um projeto de sociedade verdadeiramente igualitário.
Os debates abordaram temas centrais do Novembro Negro, como o genocídio da juventude negra, as desigualdades persistentes no mundo do trabalho, a urgência de políticas efetivas de promoção da igualdade racial e a importância da PEC da Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial, relatada pelo deputado Orlando Silva (PCdoB/SP).
Em sua intervenção, Alfredo de Oliveira Neto destacou o simbolismo histórico e político do mês da Consciência Negra, lembrando os 22 anos da Marcha da Consciência Negra em São Paulo como expressão da crescente mobilização popular e do fortalecimento da consciência coletiva contra o racismo. Para ele, o Brasil não avançará enquanto o racismo estrutural seguir determinando oportunidades e destinos.
Representando a FINDECT, Ricardo Adriane Negopeixe apresentou um resgate histórico essencial para compreender as raízes do racismo no Brasil. Ele lembrou que, entre 1549 e 1850, a população negra resistiu ativamente ao sistema escravista, em movimentos que Clóvis Moura definiu como “quilombagem”. A partir de 1850, com a proibição do tráfico de pessoas escravizadas, a disputa passou para o campo institucional, num processo de abolição lento e incompleto, que deixou o povo negro sem terra, sem reparação e sem garantias de cidadania. Ressaltou ainda que o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, sem construir um arcabouço jurídico que assegurasse igualdade real.
A vereadora Najara Costa reforçou que o racismo permanece estruturante no capitalismo brasileiro, lembrando que não é possível falar em igualdade enquanto o genocídio da população negra — seja pela violência direta, seja pela ausência de políticas públicas — continuar determinando vidas e trajetórias.
A participação de Ricardo Adriane, Douglas Melo e Michele Souza evidenciou o compromisso da FINDECT com o fortalecimento da participação negra no movimento sindical e com o enfrentamento do racismo em todas as suas dimensões. A Plenária do Novembro Negro reafirmou que combater o racismo é também combater as desigualdades no mundo do trabalho — passo indispensável para construir um Brasil mais justo, democrático e igualitário.



















