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Demissão do presidente dos Correios é anunciada por Bolsonaro

Publicado em 17/06/2019

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Deselegante, informou a demissão pela imprensa e justificou dizendo que o General foi sindicalista! E agora, o que vem por ai?

Numa só tacada, mostrou o quanto é ideológico e autoritário e não aceita quem pensa diferente dele. Também deixou claro seu ódio aos trabalhadores, à organização sindical, àqueles que ousam defender seus direitos contra os ataques dos usurpadores que chegam ao poder para saquear o povo trabalhador em nome dos exploradores!

Falas em defesa dos Correios

O General Juarez Cunha defende uma forma de privatização dos Correios, que é a abertura de capital e venda de ações, ainda que diga se tratar de uma forma de captar recursos para investir na ECT.

Ele também está, ou estava, reduzindo fortemente a rede de atendimento com fechamento de agências, o que favorece a concorrência e enfraquece os Correios.

E tem diminuído o efetivo com planos de demissão incentivada, piorando ainda mais a sobrecarga para os trabalhadores, que está em níveis altíssimos numa empresa que não realiza concurso nem contrata desde 2011.

Contradições à parte, ele tem dito em várias ocasiões que a ECT é uma empresa “estratégica, autossustentável, insubstituível, cidadã, orgulho do Brasil, presente na vida do Brasileiro”, como fez na Audiência Pública em defesa dos Correios realizada em Brasília no dia 05 de junho.

Dados comprovam a força e a importância da ECT

Sua participação nessa audiência, os dados que trouxe, a defesa que fez da instituição e as fotos que tirou com trabalhadores e parlamentares de esquerda elevaram o ódio que Bolsonaro já nutria e levaram à demissão.

Nesse dia, o General Juarez mostrou com números a importância dos Correios para a história do país, o gigantismo do atendimento da empresa e de sua estrutura operacional.

Trouxe informações oficiais que reforçaram os argumentos da FINDECT e dos Sindicatos da categoria, de que essa é uma estatal independente, que dá lucro e não depende de recursos do tesouro.

Falou sobre a crise financeira que se abateu sobre a empresa e reconheceu o recolhimento abusivo de recursos pelo governo (cerca de R$ 6 bi como adiantamento de dividendos) como elemento central das dificuldades que recaíram sobre os Correios.

Frisou que apenas 324 municípios do país dão lucro e subsidiam as atividades nos demais 5240, em cumprimento à missão imposta pela constituição.

E lembrou que isso mostra o quanto espetacular é o papel dos Correios para a integração nacional, por atuar em áreas diversas como educação, defesa civil, infraestrutura, entre outros.

Como exemplo, explicou a complexidade logística para garantir a distribuição e recolhimento de provas do ENEM para 5.3 milhões de inscritos em 1728 municípios, em dois finais de semana consecutivos.

Explicou ainda a restrição do monopólio postal e a competência necessária para atuar no mercado de encomendas, que é concorrencial.  E deixou claro que uma privatização da empresa provocaria um enorme desequilíbrio, que não seria coberto pela iniciativa privada e sobraria para a união e para a população.

E agora, o que vem?

O currículo da exército como governo é público e nada abonador. Ainda há centenas de desaparecidos do regime militar. E todos sabem da repressão brutal aos movimentos populares, sindical e social, e da tortura praticada, que tem entre seus cabeças o coronel Ustra, ídolo de Bolsonaro.

O vice-presidente general Amilton Mourão já defendeu publicamente as privatizações e a reforma da previdência e o fim do 13º, que para ele é um jabuticaba para os empresários (tadinhos deles né).

Mas Bolsonaro, que também é militar e colocou quase 20 deles em ministérios, secretarias e cargos estratégicos, é tão autoritário que nem com eles está se entendendo.

Além do presidente dos Correios, acabou de demitir o general Santos Cruz, depois que o general passou a se desentender com um dos filhos dele e com o coordenador de comunicação ligado ao núcleo ideológico do presidente e ao seu mentor Olavo de Carvalho.

Não há dúvidas que o próximo presidente a ser indicado por Bolsonaro para os Correios deve ser partidário da privatização, e que vá aprofundar o processo de desmonte e entrega da ECT. Assim como não há dúvidas que, se a privatização ocorrer, quem vai pagar o os custos é a população e os funcionários da empresa.

Muita luta vem pela frente!!!

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