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Interventor do fundo de pensão dos Correios atrapalha operação para flagrar propina

Publicado em 12/12/2017

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Walter de Carvalho Parente contou em reunião do Conselho sobre oferta de suborno

Uma trapalhada do interventor do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, destruiu uma operação que era arquitetada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal. Conforme revelado na sexta-feira, Walter de Carvalho Parente contou — durante uma reunião do Conselho de Administração dos Correios — que foi procurado por advogados para favorecer um banco americano. A oferta de R$ 6 milhões para fechar um acordo com o BNY Mellon, instituição processada pelo fundo por perdas bilionárias em escândalos do passado, foi registrada na ata do encontro.

A divulgação dessa informação arrasou os planos de procuradores e delegados que esquematizavam uma “ação controlada” para pegar os advogados em flagrante ao negociarem a propina. A ideia era gravar quando eles oferecessem o dinheiro para que um acordo de R$ 1,2 bilhão fosse fechado. Atualmente, as ações do fundo de pensão contra o BNY Mellon somam R$ 5,5 bilhões, segundo cálculos do interventor.

— Uma semana antes dessa reunião do Conselho dos Correios, o Walter chegou no Ministério Público Federal muito angustiado. A gente falou que faria a operação, mas orientou que ele não poderia mais comentar sobre o assunto com ninguém — diz uma fonte a par das investigações, sob a condição de anonimato.

Walter não seguiu o conselho dos investigadores. Contou para todos os conselheiros dos Correios que foi procurado e recebeu uma oferta de propina. A informação foi registrada na ata da reunião, realizada no fim de outubro.

Ao abrir a boca, estragou a ação dos investigadores, que estava prevista para ocorrer pouco antes do Natal. Segundo um deles, estava difícil conciliar o efetivo da PF com as possíveis datas do MPF. Fim de ano tem sido uma época agitada para os dois órgãos desde o início da Operação Lava-Jato. Há outras operações na fila para ocorrem até a virada de 2018.

— Agora que a propina está registrada na ata e que a informação tornou-se pública, não tem mais como fazer uma operação. O assunto morreu — lamenta um investigador.

Em nota enviada ao GLOBO, o BNY Mellon negou categoricamente o oferecimento de propina. Disse que jamais tratou de assuntos relacionados a um potencial acordo com o interventor do Postalis e nem orientou os advogados para isso.

“Temos uma clara e contundente Política de Anticorrupção (em conformidade as leis brasileiras e com normas internacionais) que prevê tolerância zero para suborno e corrupção, além de aplicarmos treinamentos regulares para todos os funcionários”, afirma a instituição que diz que a política é também aplicada na sua integralidade nas nossas relações com clientes, parceiros e prestadores de serviço.

“Em resposta a essa grave e absolutamente infundada acusação, interpelaremos o Sr. Walter Parente para que esclareça o ocorrido e, na sequência, adotaremos as medidas cabíveis”.

O fundo de pensão dos Correios está sob intervenção da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) desde o início de outubro. O argumento é que havia problemas na governança e que a a antiga diretoria teria inflado valores de garantias para manter o balanço do fundo equilibrado.

Reprodução: Jornal O Globo

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