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Irresponsabilidade da direção da ECT corresponde à do governo que a indicou

Publicado em 24/06/2020

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Com unidades entupidas de objetos postais, falta de efetivo e grande contaminação por covid-19, são patéticas as colocações do Primeira Hora de 24 de junho, em que o presidente da empresa realça os “avanços” de sua gestão e o lucro de 102 milhões.

Ele diz que promoveu “grandes avanços para recuperar e manter a saúde financeira da empresa”, e que graças a isso registrou “em 2019 um saldo lucrativo de R$ 102 milhões”. Para ele, suas medidas fortaleceram “a estrutura empresarial” com “adequação da força de trabalho às mudanças no perfil socioeconômico da população”.

E completa dizendo que o “êxito dessa gestão se deve, reconhecidamente, a todos que labutam nesta histórica instituição”, se colocando ao lado dos ecetista que estão enfrentando a pandemia nas unidades e nas ruas, adoecendo e morrendo, o que é falso como uma nota de R$ 3.

Governo irresponsável…

O primeiro governo que tem um Ministro da educação que fugiu pra não ser preso, que treme com a prisão do miliciano Queiroz, tem o ministro da economia mais neoliberal e privatizante do planeta.

Por motivos desconhecidos até agora, esse governo se tornou um pária internacional ao incentivar a disseminação do coronavírus, em vez de combatê-la.

O Brasil não adotou as medidas já conhecidas e disseminadas pela experiência dos países que sofreram primeiro com a pandemia na Europa e na Ásia. Deixou rolar. O presidente incentivou a descrença e os governadores e prefeitos se limitaram à quarentena.

O resultado é o Brasil em segundo lugar no mundo em contaminação e mortes. A subnotificação é óbvia, embora os bolsonaristas digam o contrário, que os médicos estão colocando Covid-19 em todos os óbitos. Mesmo com o governo escondendo os números, em breve o Brasil será o primeiro do mundo em casos e mortes.

E se a economia piorar ainda mais, é porque os governos não se colocaram ao lado da população e não tomaram as medidas necessárias, como ampliar o auxílio emergencial aos trabalhadores e às pequenas e micro empresas. Dinheiro para isso tem, está nos cofres e saiu do bolso da população com cobrança de impostos.

Direção empresarial irresponsável…

É nesse contexto que está inserida a direção da ECT. Só entendendo-o é possível entendê-la.

Como o ministro da economia Paulo Guedes, ela é neoliberal privatista. Por isso aprofundou as políticas das direções anteriores, no sentido de enfraquecer a empresa e prepará-la para a privatização.

Não fez concurso e não contratou funcionários, enquanto a população e a entrega de encomendas aumentam. Como pode então dizer que adequou “a força de trabalho às mudanças no perfil socioeconômico da população, com a distribuição geográfica dos postos de atuação, que permitiu reduzir os excedentes mal alocados e os custos diretos na operação”?

O que ela fez foi os inúmeros SD equivocados e a distribuição alternada. E o resultado foi prejuízo para a população, com diminuição ou ausência da presença do carteiro, e para a categoria, com aumento da sobrecarga de trabalho.

É também nesse contexto que manteve o trabalho dos Correios na pandemia sem medidas adequadas de segurança.

A FINDECT e Sindicatos filiados tiveram que pressionar para que itens de higiene e segurança básicos fossem distribuídos, e até hoje são insuficientes, como as máscaras. Com o avanço inevitável da contaminação e das mortes, o Sindicato teve que impor através da justiça o afastamento dos trabalhadores adoecidos, a testagem, o fechamento e a desinfecção das unidades.

Política de morte

Como o governo, a direção da ECT aposta na imunidade de rebanho. Isso significa deixar todos se contaminares para adquirir imunidade. O problema é que parte dos contaminados desenvolverão a fase aguda da doença e morrerão, como já está acontecendo.

Mas “alguns vão morrer, e dai? Quer que eu faça o quê?””, como disse o presidente.

A direção da empresa não está fazendo nada. Não só seu presidente e a direção nacional, mas também maioria dos superintendentes, gerentes e chefes. Tem até aqueles que ousam ir às unidades falar mal do Sindicato e dizer que o serviço não pode parar.

E nada de desinfectar as unidades e resolver problemas estruturais, como de ventilação. Nada de garantir proteção para todos, distanciamento adequado nos setores apertados e lotados, afastamento do efetivo do trabalho presencial para evitar a transmissão do novo coronavírus e exames/testes de detecção de covid-19 aos mais de 99 mil trabalhadores.

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