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#OpiniãoEcetista: POR QUE A PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS NÃO É A SOLUÇÃO?

Publicado em 09/05/2018

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Nos últimos anos, temos observado os baixos investimentos em todos os setores públicos; nos Correios por exemplo, as últimas administrações têm promovido uma verdadeira destruição do serviço postal no país.

Além de criar projetos nocivos que restringem a distribuição de cartas e encomendas à população, fechamento de unidades, planos de demissão, os ecetistas sofrem com as péssimas condições de trabalho, remuneração reduzida desde a cobrança extraordinária aprovada no fundo de pensão na Gestão do PT, e agravada com a alteração imposta pelo TST no custeio do plano de saúde na administração MDB/PSD.

As trapalhadas nas administrações da ECT vinda desde o governo do PT, se tornaram uma triste realidade ao trabalhador dos Correios, criando um espaço suscetível ao discurso e ação da privatização. A mídia, os empresários e governantes favoráveis à privatização se utilizam dessa realidade para defender que a iniciativa privada é quem pode resolver esse problema. Será mesmo?

A privatização dos Correios – assim como da Eletrobrás, Petrobras, Caixa Econômica e Banco do Brasil – viola um princípio básico constitucional conquistado com muita luta dos trabalhadores: o de que esses serviços e empresas são responsabilidades do Estado.

Tratam-se de direitos e prestação de serviços sociais que devem receber altos investimentos públicos para atender adequadamente a população. Os que defendem arduamente as privatizações querem transformar esses direitos sociais em bens de consumo, em mercadoria, para serem vendidas sob as regras do mercado, e consequentemente promover altos lucros para os empresários que se beneficiaram com isso.

Está mais do que provado de que a privatização dos Correios significa um grande retrocesso. Mas, além disso, a privatização tende a piorar os serviços devido à redução do quadro de funcionários. Ao invés de resolver os problemas e da qualidade do serviço, como propagandeiam os novos “gestores da política” e governantes privatistas, a transferência do serviço postal para a iniciativa privada irá fatalmente piorar a qualidade dos serviços e submeter a população a altos preços de postagens, restrições das entregas e menos condições de segurança aos trabalhadores.

Elevação das tarifas postais

Para compreender as consequências da privatização, basta entender a lógica de uma empresa. Os defensores da privatização dizem que a busca por lucro e produtividade fazem o serviço melhorar. Mas todo mundo sabe que para uma empresa manter e ampliar seus lucros, é necessário reduzir custos e ampliar a arrecadação. Como se faz isso em relação ao serviço do metrô? Aumentando a tarifa. Prova disso: metrô do Rio de Janeiro, privatizado em 1997, tem a tarifa mais cara do Brasil.

Prestação de serviço de Correios pior

A atual gestão dos Correios, seguindo a cartilha da iniciativa privada, vem adotando um discurso de crise intensa. É dessa forma que as empresas buscam para aumentar seus lucros, através da redução de custos.

Para isso, não realizam concursos ou contratam o mínimo de funcionários possível e tentam reduzir ao máximo seus direitos trabalhistas sob ameaça de demissão. Não houve se quer uma privatização no Brasil em que o quadro de funcionários não tenha reduzido drasticamente.

Em todas as empresas que foram privatizadas, foi reduzido em mais de 30% seu quadro de trabalhadores. Ou seja, contratam mão de obra menos qualificada e a baixo custo (salário extremamente baixo). A consequência disso é um serviço de péssima qualidade, com menos capacidade de atender a demanda de serviço postal.

É por tudo isso que afirmo dizer que privatizar os Correios não é a solução, jamais foi e nunca será. É necessário a volta do investimento público no fortalecimento da empresa, para ter de volta um serviço de qualidade, deixando a população satisfeita com um serviço acessível, funcionários valorizados, bem remunerados, ampliando o número de trabalhadores e de unidades postais, colocando um fim na terceirização e respeitando a lógica de que os Correios e demais serviços públicos são direitos sociais e de responsabilidade do Estado, não cabendo a alegação de déficit, prejuízo ou qualquer outra coisa por parte do Governo Federal.

Não tem que fechar agência própria, tem que acabar com as franqueadas!

O presidente interino dos Correios, Carlos Fortner, segue as pegadas do seu antecessor, Guilherme Campos, que saiu, mas continua mandando. Inclusive nas falas recheadas de falsidades.

Ao Estadão, disse que “não é cabível numa empresa que quer ser modernizada, que quer se atualizar, que quer estar saudável, ter uma agência a 50 metros uma da outra.”

Onde existe isso? Ele citou como exemplo o bairro de Copacabana. Sua informação é falsa, como atesta o dirigente do Sindicato do Rio de Janeiro, Marcos Sant´Aguida, que trabalhou na AC Leme, já extinta, e na AC Copacabana.

O bairro de Copacabana é grande territorialmente e superpovoado. Tem 3 agências. Uma delas vive lotada de turistas do mundo todo e nem dá para a população entrar. As outras ficam em cantos opostos do bairro. Todas são necessárias e rentáveis.

Agência colada em outra só existe se for franqueada. E nesse caso é a franqueada que tem que ser fechada, não a própria. Se faz o contrário, é óbvio que está favorecendo a franqueada.

Carlos Fortner é um presidente sombreado. Ele e Guilherme Campos estão no mesmo lugar, falando as mesmas bobagens, cometendo os mesmos crimes contra o patrimônio dos brasileiros, destruindo a ECT e os diretos da categoria. Não tem lugar para nenhum dos dois nos Correios!

O anúncio de fechamento de unidades e demissão de funcionários é inaceitável, não podemos nos calar diante de tantos ataques. É preciso que os trabalhadores se engajem nessa batalha e lutem unidos contra a privatização da maior e mais conhecida empresa do Brasil.

Fora Guilherme Campos! E leve o Fortner junto!

 




A opinião do autor acima não representa a opinião geral da FINDECT, sendo esse espaço apenas um veículo de divulgação de diferentes visões, todos os direitos e responsabilidades correspondem ao autor.

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