Postalis 45 anos: não é tempo de homenagens vazias, é hora de responsabilidade e justiça
Publicado em 26/02/2026 17:11
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O fundo de pensão dos trabalhadores dos Correios completa nesta quinta (26), 45 anos sob forte cobrança por transparência, mudanças na gestão e recuperação dos recursos que pertencem aos participantes

O Postalis completa 45 anos de existência. Criado em 1981 pelos Correios, o fundo de pensão foi apresentado como instrumento de proteção para garantir renda complementar na aposentadoria. A adesão ao Plano BD era obrigatória: ingressar na empresa significava, automaticamente, integrar o plano.
A promessa era assegurar estabilidade no pós-carreira, preservando padrão remuneratório semelhante ao da ativa. Entretanto, ao longo das décadas, decisões administrativas e alterações estruturais modificaram profundamente o cenário inicialmente apresentado aos trabalhadores.
O saldamento realizado em 2008 redefiniram compromissos e impactaram o equilíbrio do sistema. Entre os pontos mais controversos está a Reserva Técnica de Serviço Anterior (RTSA), cujo tratamento financeiro e posterior suspensão de pagamentos pela patrocinadora geraram questionamentos e disputa judicial ainda em andamento. O passivo decorrente dessa controvérsia tem influência direta sobre a saúde do plano.
Os sucessivos déficits resultaram na aplicação de contribuições extraordinárias elevadas, tanto para trabalhadores da ativa quanto para aposentados. Esses descontos afetam diretamente a renda mensal de milhares de participantes, muitos dos quais contribuíram durante toda a vida laboral com a expectativa de segurança e previsibilidade.
Ao completar 45 anos, o Postalis precisa ser debatido com franqueza. O patrimônio do fundo pertence aos trabalhadores e deve ser administrado com rigor técnico, transparência absoluta e responsabilidade institucional. Não é aceitável que os participantes arquem sozinhos com prejuízos decorrentes de decisões que não controlaram.
A FINDECT e os sindicatos filiados defendem mudanças efetivas na gestão, fortalecimento dos mecanismos de governança e fiscalização, além de ampla divulgação das informações financeiras e atuariais. Também é imprescindível que sejam adotadas todas as medidas judiciais necessárias para recuperar valores que deixaram o plano e para responsabilizar eventuais responsáveis por danos ao patrimônio coletivo.
Os conselheiros eleitos pela categoria, Anézio Rodrigues e Edgar Cordeiro, têm reafirmado esse compromisso. “O Postalis é dos trabalhadores, dos participantes e dos aposentados. Nossa atuação é para garantir transparência, equilíbrio e respeito a quem contribuiu durante décadas”, afirmam. Eles também defendem que “qualquer prejuízo precisa ser apurado com rigor, e os valores que pertencem aos participantes devem ser buscados na Justiça”.
Os 45 anos do Postalis devem marcar um ponto de inflexão. Mais do que uma data histórica, este é um momento de reafirmar que aposentadoria complementar é direito construído com contribuição e trabalho. E direito se defende com firmeza, responsabilidade e ação concreta.
