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Março Mulher 2026 começa com mobilização nacional e reforça luta contra o feminicídio e pela igualdade

Publicado em 02/03/2026 18:39

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Abertura do mês em São Paulo reúne centrais sindicais, movimentos sociais e sociedade civil; sindicatos filiados à FINDECT reafirmam compromisso com a defesa da vida das mulheres e com a justiça no mundo do trabalho.

O mês de março iniciou com forte mobilização do movimento sindical em defesa das mulheres. No dia 2 de março de 2026, o Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais realizou, na capital paulista, a abertura oficial do Março Mulher, com panfletagem e diálogo direto com a população na região do Brás, um dos maiores polos de circulação de trabalhadores e trabalhadoras da cidade.

A atividade marcou o início de uma agenda nacional que, ao longo de todo o mês, intensificará o debate sobre o combate ao feminicídio, a valorização da Política Nacional do Cuidado, a igualdade salarial entre homens e mulheres e a promoção de equidade no ambiente de trabalho. A mobilização reafirma que a luta das mulheres é parte estruturante da pauta sindical e da defesa de direitos.

Um cenário alarmante que exige mobilização permanente

O Março Mulher 2026 acontece em meio a números que revelam a gravidade da violência de gênero no país. O Brasil encerrou 2025 com aproximadamente 1.470 casos de feminicídio — média de quatro mulheres assassinadas por dia. Mais de um milhão de novos processos de violência doméstica foram registrados no Judiciário no último ano. Dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher indicam que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar recentemente, sendo que em 71% dos casos havia crianças presentes. A residência segue como o principal local das agressões.

Esses dados demonstram que, embora existam instrumentos legais, é indispensável garantir que funcionem com rapidez e eficiência. Em muitos casos, as vítimas já haviam denunciado seus agressores antes de serem assassinadas. Por isso, além do fortalecimento das políticas públicas, é fundamental que a sociedade não se omita diante de situações de violência.

Em caso de ameaça ou agressão, a orientação é procurar o Ligue 180, que funciona 24 horas de forma gratuita e anônima, ou acionar o 190 em situações de emergência. O registro de ocorrência pode ser feito nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), inclusive de forma online, com possibilidade de solicitação de Medidas Protetivas de Urgência. O relato da vítima é suficiente para que os mecanismos de proteção sejam acionados. Serviços como CREAS e Casa da Mulher Brasileira também oferecem apoio psicológico, social e jurídico.

Memória, denúncia e compromisso coletivo

Como parte das ações que marcaram o início do mês, no dia 1º de março foi realizado, em São Paulo, o ato Memorial pela Vida das Mulheres, promovido pelo Ministério das Mulheres. A iniciativa reuniu representantes do movimento sindical, movimentos sociais, coletivos feministas e a sociedade civil em uma caminhada que transformou o espaço público em local de memória e mobilização.

Durante a atividade, foi instalado um painel em homenagem a Tainara Souza Santos e a todas as vítimas de feminicídio no país, simbolizando a necessidade de romper com o ciclo de violência e impunidade.

A FINDECT participou do ato por meio da secretária da Mulher do SINTECT-SP, Michele Souza, que representou a Federação e seus sindicatos filiados. Ao integrar a mobilização, Michele reforçou o compromisso da entidade com a defesa da vida das mulheres, o enfrentamento à violência de gênero e a construção de ambientes de trabalho mais seguros e igualitários.

Março é mês de organização e luta

Ao longo das próximas semanas, os sindicatos filiados à FINDECT irão ampliar as ações de conscientização, com conteúdos informativos e formativos sobre direitos das mulheres, combate à violência, igualdade salarial e valorização do cuidado. A mobilização também busca fortalecer a participação feminina nas instâncias sindicais e nos espaços de decisão.

Mais do que uma data simbólica, o Março Mulher representa um chamado à ação coletiva. Enfrentar o feminicídio, o assédio moral e sexual no trabalho e as desigualdades estruturais exige unidade, vigilância e compromisso permanente.

Em nome dos sindicatos filiados, a FINDECT reafirma que seguirá na linha de frente da luta pela vida das mulheres, por dignidade no trabalho e por uma sociedade justa e verdadeiramente igualitária.

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