Siga nas redes

MGI lança página com orientações e novo mecanismo de reposicionamento para anistiados do governo Collor

Publicado em 20/05/2026 12:37

Fonte:


Lei nº 15.367/2026 reconhece o tempo total de serviço prestado ao Estado e busca corrigir distorções históricas enfrentadas por trabalhadores anistiados da administração pública federal

Os servidores e empregados públicos anistiados pela Lei nº 8.878/1994 conquistaram um importante avanço após décadas de luta por reconhecimento e reparação. O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), regulamentou um mecanismo inédito de reposicionamento remuneratório que permitirá considerar o tempo total de serviço prestado ao Estado brasileiro para fins de enquadramento salarial.

A medida está prevista no artigo 69 da Lei nº 15.367/2026 e representa uma tentativa de corrigir uma das principais injustiças enfrentadas pelos trabalhadores demitidos de forma arbitrária durante o governo de Fernando Collor, no início da década de 1990.

Com a nova regra, passam a ser contabilizados tanto o período trabalhado antes da demissão quanto o tempo posterior ao retorno ao serviço público federal. Na prática, isso permitirá que os anistiados sejam reenquadrados em níveis salariais mais compatíveis com toda a trajetória profissional construída ao longo dos anos no serviço público.

Segundo o MGI, o mecanismo busca reparar uma distorção histórica que permaneceu mesmo após a anistia concedida em 1994. Embora muitos trabalhadores tenham conseguido retornar aos seus cargos após anos de afastamento, não existia uma regra clara para reconhecer o tempo anterior à demissão no cálculo da remuneração e da progressão funcional.

Durante o governo Collor, cerca de 120 mil servidores e empregados públicos federais foram desligados em um processo marcado por denúncias de perseguição política, ausência de ampla defesa e desmonte de estruturas do Estado brasileiro. A Lei nº 8.878, sancionada no governo Itamar Franco, garantiu a anistia e o direito de retorno ao serviço público aos trabalhadores atingidos.

Apesar disso, apenas cerca de 42 mil trabalhadores foram efetivamente beneficiados pela anistia e aproximadamente 12 mil conseguiram retornar à administração pública federal. Muitos enfrentaram obstáculos administrativos, perda de prazos e, mesmo após o retorno, continuaram sofrendo com salários defasados e enquadramentos incompatíveis com o tempo dedicado ao serviço público.

Agora, a nova legislação permite que esses trabalhadores optem por uma nova tabela remuneratória, considerando integralmente o tempo de serviço prestado ao Estado. A adesão pode ser feita até o dia 30 de julho de 2026 pelos anistiados que permanecem em exercício na administração pública federal.

O pedido deve ser realizado junto à Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas ou à Unidade de Recursos Humanos do órgão onde o trabalhador está lotado.

O Ministério da Gestão também lançou uma página oficial com orientações detalhadas, perguntas e respostas e informações sobre como solicitar o reposicionamento remuneratório. O objetivo é facilitar o acesso às informações e garantir que os trabalhadores consigam exercer o direito previsto na nova legislação.

Para o secretário de Gestão de Pessoas do MGI, José Celso Cardoso Jr., a iniciativa ajuda a tornar o tema mais acessível aos trabalhadores e contribui para que possam tomar decisões mais seguras sobre a nova tabela remuneratória.

Já a diretora de Provimento e Movimentação de Pessoal do MGI, Maria Aparecida Chagas, destacou que a medida representa o reconhecimento da trajetória de trabalhadores que atravessaram um período de forte desestruturação da administração pública brasileira, mas que retornaram ao serviço público para continuar atendendo a população.

Para muitos anistiados, hoje com mais de 60, 70 e até 75 anos, o novo mecanismo representa não apenas um reajuste salarial, mas também o reconhecimento de uma luta histórica marcada por perseguições, perdas financeiras e anos de insegurança profissional.

Os sindicatos filiados à FINDECT acompanham a situação e reforçam a importância de que todos os trabalhadores anistiados busquem orientação junto aos setores de recursos humanos dos órgãos públicos para garantir o acesso ao direito assegurado pela nova legislação.

Veja mais em: MGI lança página com orientações para anistiados do governo Collor

Compartilhe agora com seus amigos