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Empresas privadas querem controlar as operações logísticas, não comprar a ECT

Publicado em 18/10/2020

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●Gigantes como a Amazon querem a liquidação dos Correios, de olho no mercado em que a ECT é uma verdadeira e merecida campeã: as operações logísticas do e-commerce, justamente o quinhão que não é tocado pela “lei do monopólio”

●E para viabilizar o serviço ao mandante o governo colocou a Accenture para fazer estudos, empresa que é sócia da Amazon, que é sócia do BTG Pactual Digital, uma empresa do banco BTG Pactual, fundado pelo Ministro Paulo Guedes

No dia 14 de outubro, com pompa e circunstância, o Ministro das Comunicações Fábio Farias fez o anúncio de que, em Dezembro de 2021, fará o anúncio da “privatização dos Correios”!

Isso mesmo: fez um anúncio de um anúncio futuro.

O motivo de não tratar do que interessa mesmo é que a Accenture – uma consultoria contratada para realizar os estudos sobre “a forma” da privatização, entregará “a conclusão” daqui a 120 dias.

O que se tem “certo” até aqui é a “abertura do mercado” postal, como se ele já não fosse aberto, apesar da “lei do monopólio” – e a uma infinidade de grandes e pequenas empresas de coleta e entrega expressa provam isso. A criação de um “marco legal regulatório” para esse “mercado aberto” também está no radar.

Mídia empresarial apoia a liquidação

O noticiário dos puxa-sacos (Globo, Record7, SBT, Band…), por dias a fio noticia a “privatização dos Correios” e toda a sorte especulações a respeito. Entre elas as falas do Ministro, que com pompa e circunstância reflete um fato cada vez mais notório: o governo não sabe o que fazer com os Correios.

Sua ação gira em torno do mantra da liquidação da empresa e dos seus 100 mil trabalhadores. E faz isso a despeito das gravíssimas consequências dessa liquidação tanto para os entes públicos, como Municípios ou mesmo às Forças Armadas (na maior parte do Brasil, quem chega mesmo são essas duas instituições de Estado), como também os gravíssimos danos à iniciativa privada nacional, que tem nos Correios um parceiro estratégico e necessário, como ocorre com o e-Commerce.

Uns dias antes, o mesmo Ministro fez um anúncio sobre “eventuais” interessados na “compra dos Correios”. Constrangeu a Sra. Luiza Trajano, proprietária da maior parte das ações da ‘Magalu’ a ter que vir a público esclarecer que nunca tinha afirmado interesse na estatal. Nenhuma outra empresa de porte se manifestou de forma clara, como sugeriu o Fábio Farias.

E, isso tem uma razão muito simples: o interesse maior não é pela empresa de Correios – a ECT – mas, pelo mercado que opera a empresa como uma verdadeira e merecida campeã: as operações logísticas do e-commerce, justamente o quinhão que não é tocado pela “lei do monopólio”.

Já faz uns anos que os empresários brasileiros do setor varejista online denunciam a cobiça de gigantes como a Amazon na liquidação dos Correios.
Isso aplacaria a concorrência, os pequenos, os médios e as grandes varejistas nacionais, como a própria Magazine Luiza, Colombo, ou de forma ‘indireta’ empresas como o “Mercado Livre” – uma empresa argentina que atende pequenos vendedores, comerciantes que aprendem a usar a internet, a população brasileira em geral, porque não age como atravessador, e tem nos Correios um parceiro importante. Essa é a opinião da Associação Brasileira do Comercio Eletrônico, ABCom.

Liquidação a qualquer custo

O governo Bolsonaro foi eleito dizendo que liquidaria os Correios. É essa a ideia chave do Ministro. Pra ele e pra mídia – que não esconde seu interesse próprio em ver o Brasil de joelhos para os EUA ou algum país europeu – não importa “a forma”, e o que importa mesmo é manter o assunto na “vitrine”, em alta, porque daqui a 120 dias, a Accenture dirá como será feito.

Em tempo: a Accenture é sócia da Amazon, que é sócia do BTG Pactual Digital, uma empresa do banco BTG Pactual, fundado pelo Ministro Paulo Guedes.

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